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Cultura Empreendedora Empreendedora cria fábrica de polpas e fortalece produção de frutas em comunidade quilombola
Por GRUPO LEÃO
Publicado em 12/03/2026 09:56
Sebrae

Quando decidiu deixar o emprego como caixa de supermercado, em 2020, Cristiane Lima tinha a missão de aumentar o aproveitamento e agregar valor às frutas que os irmãos cultivavam, transformando-as em polpas congeladas, em uma pequena fábrica na comunidade quilombola Esperança, em Belo Oriente. Não imaginava, porém, que aquele seria o primeiro passo para mudar a vida de toda a família, muito menos que se tornaria fornecedora de uma das maiores empresas dos ramos de alimentação do país.

Cristiane Lima transformou frutas em negócio com impacto para toda comunidade. Crédito: DivulgaçãoCristiane Lima transformou frutas em negócio com impacto para toda comunidade. Crédito: Divulgação

A história começou em 2018, quando Diego e Warley Lima trocaram o trabalho fora da cidade pela agricultura familiar, iniciando o cultivo do maracujá e, aos poucos, de outras frutas. Com uma produção acima do esperado na segunda safra, Cristiane sugeriu transformar o excedente em polpas.

“Sempre fomos muito unidos. Sugeri que produzissem as polpas para não desperdiçar”, relembra.

Com uma despolpadeira, congeladores e um liquidificador industrial, nasceu a Polpas Puro Sabor. No início, a mãe e a filha de Cristiane assumiram a produção, que abastecia as escolas municipais da região, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de feiras e o comércio de hortifrúti local.

Com o crescimento da demanda, os irmãos se concentraram nos pomares e Cristiane passou a tocar a fábrica em tempo integral, desligando-se do antigo emprego. Com apoio da Associação dos Remanescentes Quilombolas de Esperança e recursos captados junto ao poder público, ela adequou a estrutura aos parâmetros do Ministério da Agricultura, adquiriu câmara fria, gerador e veículo para entregas.

O marido, José Silva, também deixou o emprego formal para se dedicar ao negócio. A filha do casal, Lívia Cristine, atua na produção e cursa Nutrição, com o objetivo de contribuir tecnicamente para o crescimento da empresa.

Hoje, a empresa é a única fábrica de polpas formalizada no município, com produção que chega a 10 mil quilos mensais de polpas. Maracujá, graviola, limão, acerola, goiaba, abacaxi, manga e caju — fornecidos pelos irmãos de Cristiane e por outros agricultores da comunidade — chegam processados ao mercado com regularidade e qualidade. Além de ser a principal fonte de renda da família de Cristiane, a fábrica tem papel estratégico na comunidade, pois garante o total aproveitamento e destinação das frutas produzidas pelos agricultores locais, incentivando a atividade no campo, a geração de renda para as famílias e fortalecendo a economia local.

Negócio de família abastece mercado regional e gera renda para toda comunidade. Crédito: DivulgaçãoNegócio de família abastece mercado regional e gera renda para toda comunidade. Crédito: Divulgação

Um território marcado pela cooperação e pelas tradições

A história da empreendedora está ligada à Comunidade Quilombola Esperança, uma das maiores do Alto e Médio Rio Doce, com forte atuação na agricultura familiar. São 286 famílias, sendo cerca de 100 dedicadas diretamente à produção, atendendo onze cidades da região. A atuação da Associação dos Remanescentes Quilombolas e da Prefeitura de Belo Oriente, por meio da Secretaria de Agricultura, tem sido determinante para organizar os produtores e favorecer sua permanência no território.

Foi nesse contexto que Cristiane participou, em 2025, das capacitações promovidas pelo Sebrae Minas em parceria com o Instituto Cenibra, a Associação e a Prefeitura. O Empretec Rural foi o ponto de virada. “Sinto que meu cérebro não parou mais de funcionar depois do Empretec. Está sendo muito interessante colocar as mentorias em prática e já estamos vendo resultados”, afirma.

Sua jornada, assim como a de outros empreendedores participantes das capacitações, inclui as consultorias do Sebraetec, que possibilitaram reformular a identidade visual da empresa, e orientaram sobre o novo nome – “Gostim di Fruta”, atualmente em processo de registo no INPI. As embalagens também foram modernizadas e os processos de produção reorganizados. “Nosso rótulo era improvisado e a marca não transmitia nossa identidade. O Sebrae nos trouxe uma experiência nova e muitas possibilidades”, ressalta.

Novo horizonte

As transformações foram planejadas estrategicamente para que a empresa continue crescendo de forma sustentável e alinhada ao desenvolvimento local. Por meio do convênio, Cristiane e outros dois produtores locais fecharam um contrato inédito para fornecer alimentos para a GRSA, fornecedora que abastece o restaurante industrial da Cenibra. A conquista simboliza não apenas a abertura de um novo mercado, mas também o fortalecimento do protagonismo quilombola e da economia agrícola da região. Os produtos já estão no cardápio das cerca de 5 mil refeições servidas diariamente aos colaboradores da indústria de celulose.

Cristiane segue investindo. Planeja ampliar a capacidade da fábrica, aperfeiçoar a logística e, ainda antes de concluir a graduação em Administração, realizar especializações em gestão. “Acredito que nosso espírito de cooperação, junto com o apoio que tivemos e as qualificações, contribuíram para ampliar as oportunidades e voltar a olhar para o campo como espaço de futuro”, conclui.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço
Fernanda Pereira (Stark)
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Por Fernanda Pereira

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